2569
Foto: Vlademir Alexandre

 Mais de 50 pessoas, entre estudantes, militantes e representantes de diversas organizações sociais, participaram do debate sobre a questão da violência contra a juventude, na noite desta segunda, 18, convocado pelo mandato do deputado Fernando Mineiro (PT). Em comum, os participantes manifestaram preocupação com o verdadeiro extermínio em curso contra os jovens potiguares, como atestam os índices de homicídios disponíveis.

Mineiro abriu o debate, realizado no IFRN Cidade Alta, constatando que a pauta da violência está presente em todas as comunidades, principalmente naquelas localizadas nos bairros periféricos de Natal. Ele afirmou que a reunião tinha como objetivo sensibilizar e mobilizar os movimentos sociais, em particular os movimentos juvenis, para fazer o enfrentamento desse problema.
Representantes de conselhos comunitários de diversos bairros das zonas Norte, Sul, Leste e Oeste relataram a rotina de medo a que são submetidos em função da violência, comprovando que o fenômeno se espalhou por todas as regiões da cidade. A reclamação comum é a falta de políticas de prevenção da criminalidade e de oportunidades para a juventude.
O professor do Núcleo de Estudos em Saúde Coletiva da UFRN, Oswaldo Negrão, observou que os bancos de dados sobre violência são muito frágeis. Por isso, na opinião dele, a realidade, apesar de muito ruim, ainda é subestimada.
“As mortes violentas só são registradas nas primeiras 24h. Quando a pessoa morre posteriormente, registram que a morte ocorreu por outras causas. O IML [Instituto Médico Legal] e o Walfredo Gurgel têm dados diferentes. A Secretaria de Segurança Pública, por sua vez, não complica os dados”, comentou.
A representante do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (Consec), Tomazia Isabel, lamentou a ausência de políticas públicas para a juventude da capital e do interior. Ela afirmou que, nos últimos dez anos, 130 adolescentes e jovens que cumpriam medidas socioeducativas foram assassinados. “Isso mostra que há uma política de extermínio da juventude”.
raça Leal, integrante do Movimento Dez Mulheres, com atuação na Vila de Ponta Negra, disse que “a cada dia se mata mais jovens negros e pobres” nas nossas periferias. Para Shirlenne dos Santos, participante do OBIJUV (Observatório da População Infanto Juvenil em Contextos de Violência) da UFRN, as políticas públicas “não estão chegando na ponta”.
O presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos, Marcos Dionísio, denunciou a existência de pelo menos cinco grupos de extermínio atuando na Região Metropolitana de Natal.
“Em dez anos, passamos de 160 para 444 homicídios em Natal. Não é normal dizer que essas mortes são causadas apenas pelas drogas. A verdadeira droga que está matando nossos jovens é a indiferença”, declarou.
Mineiro afirmou que o trabalho realizado pelas mais diversas organizações sociais juvenis é “invisível” para a maioria das pessoas, mas é graças a isso que um número ainda maior de jovens não está morrendo. “A média atual é de quatro jovens mortos por dia no RN. É um dado alarmante”, observou.
O debate resultou na formação de uma comissão, integrada por membros de vários movimentos sociais, com a incumbência de articular uma audiência pública para discutir o tema com mais profundidade.
.
Representatividade
Além das entidades mencionadas, o debate no IFRN contou, ainda, com a participação de representantes do Sindicato dos Professores (Sinte-RN), Diretório Central dos Estudantes da UFRN (DCE-UFRN), Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP), Centro Marista de Juventude (CMJ), Comissão de Direitos Humanos da OAB-RN, Movimento Natal Agora, Grupo Arte de Rua, Associação de Apoio às Comunidades do Campo (AACC), Levante Popular da Juventude, Centro de Referência em Direitos Humanos da UFRN (CRDH-UFRN), Interredes, Núcleo de Ação Social e Cidadania (Nasc), Juventude do PT (JPT) e dos mandatos da deputada federal Fátima Bezerra (PT) e dos vereadores petistas Hugo Manso e Fernando Lucena.
.
Anúncios