if25840_dd3fc9957fa33aab4f5e2c820851079aHá pelo menos dois meses as manifestações populares são temas recorrentes na sociedade. A intitulada “Revolta do Busão” vem realizando atos frequentes na capital potiguar, trazendo pautas que defendem a melhoria do transporte público.
 
No último dia 18, quando os manifestantes ocuparam a Câmara Municipal de Natal, protestando pela ampliação do prazo para as discussões, redução da tarifa de ônibus para R$ 2,00 e a realização de uma auditoria externa e pública no Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros (Seturn). O vereador Hugo Manso foi um dos parlamentares que acompanharam de perto o desfecho do ato. Em entrevista à reportagem do Potiguar Notícias, o vereador falou um pouco sobre sua visão frente aos protestos e sugeriu mudanças para o transporte coletivo.
 
Hugo acredita que houve uma mudança de percepção na sociedade em relação ao transporte coletivo. Os usuários já não mais o admitem como um serviço pago por ele (naquele momento) e sim, que este passe a ser um serviço público assegurado para todos como um direito, tendo em vista que o deslocamento é algo necessário para qualquer atividade.
 
Para Hugo, a percepção hoje é que devemos ter um serviço de transporte coletivo da mesma maneira que temos escolas, saúde e segurança. “Algo que seja pago, mas pela sociedade. Ninguém questiona os gastos com a universidade federal porque é algo necessário, assim como os hospitais etc.”. E é com esse olhar que os parlamentares devem debruçar suas atividades quanto ao assunto da mobilidade urbana.
 
Ele explica que a proposta do Passe Livre (defendida pelos manifestantes) inverteria a lógica das concessões, que dá ao empresário uma autorização do poder público para explorar uma determinada linha. “Com o passe livre, o pagamento desse serviço não seria feito individualmente e sim de uma só vez pelo poder publico, através dos impostos que a gente paga”, explica.
 
Ainda assim essa mudança não ocorrerá do dia para a noite, afirma Hugo. “Ainda vamos conviver com esses empresários por algum tempo”. No entanto, ele enfatiza a necessidade de conviver com regras mais claras, política e tecnicamente, para que a tarifa seja o mais justa possível e a partir disso, se possa trabalhar para reduzi-la aos poucos.
 
Como viabilizar? – Durante a entrevista, o vereador apontou diversas alternativas para viabilizar as reivindicações da sociedade: “Nós precisamos sair do quadrado e olhar para o sistema de uma maneira mais articulada e estudar novas possibilidades”, disse.
Uma das alternativas encontradas por ele seria a publicidade nos ônibus. Atualmente os outdoors não aparecem no cálculo da planilha apresentada pelos empresários, mas poderiam ser uma fonte nova para o sistema. “Nós queremos que apareça. Quanto custa por mês uma publicidade na traseira de um ônibus? Para onde vai esse dinheiro? Para o dono do ônibus, apenas? Eu acho que esse valor deveria ser dividido entre o empresário e o sistema. Além disso, as paradas de ônibus poderiam ter minioutdoors”, sugere Hugo.
 
O vereador recomenda ainda que o cálculo da planilha (que é feito pelas empresas atualmente) deveria passar pelo controle do estado. “Não se pode admitir que o óleo diesel tenha o mesmo valor do comercializado nas bombas dos postos de combustível. São mais de mil ônibus abastecidos, então o diesel pode ser comprado mais barato e isso vale para outros itens como pneus etc.”, afirma.
A tese defendida por ele é que haja transparência e o controle financeiro da prefeitura: “A prefeitura deveria vender os passes, ficar com o dinheiro e remunerar as empresas de acordo com o quilometro rodado, inverter a lógica”. Ou seja, ao invés da empresa de transporte coletivo ir às ruas arrecadar, depois fazer um resumo e apresentar para a prefeitura, a empresa iria para a rua prestar o serviço e depois se apresentaria à prefeitura para cobrar pelo serviço.
 
Com essas mudanças, o vereador garante que dentro de alguns anos teríamos uma tendência na redução das tarifas. No entanto, Hugo enfatiza que uma cidade sozinha não conseguirá isso. “Nós temos que ter consórcios envolvendo Natal, Parnamirim, São Gonçalo, Macaiba, Extremoz… O governo do Estado teria que ser parceiro, pois isso implica em mais de 40% da população do RN e o governo Federal precisaria investir na CBTU”, afirma.
 
Hugo ainda fez críticas à obra que o governo do Estado pretende fazer na Roberto Freire. “Uma obra caríssima e absolutamente desnecessária”, afirma. Ele sugere que o montante destinado à intervenção de uma área de não mais que 4 km da cidade poderia ser utilizado para revolucionar toda a malha viária de Natal e Região Metropolitana como pequenas obras que desafogassem o trânsito, melhorando a mobilidade e dando mais agilidade. Ele garante que essas mudanças de trânsito e fluxo podem reduzir custos e aliando essa eficiência do sistema com a presença do governo (municipal, estadual ou federal), o sistema de transporte público poderia ser assimilado ao sistema de educação, saúde e segurança. 

Autor: Marina Cardoso | Fonte: Potiguar Notícias

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