Por Juliano Siqueira

A propósito de entrevista concedida por Luiz Inácio Lula da Silva, ao jornal espanhol “El País”, em 20/10/2013, na qual afirma: “O PT era um partido pequeno que depois passou a ser grande e, como tal, foram aparecendo defeitos. Gente que valoriza muito o parlamento; outros, os cargos públicos”.  

            Um ano de muitos e difíceis desafios. Assim, antevemos 2014. As eleições (quase) gerais, das assembléias legislativas, passando pelos governos estaduais, Congresso Nacional (deputados federais e Senador), até à Presidência da República, exigem do Partido dos Trabalhadores (PT) um imenso esforço de mobilização, organização e consciência de sua missão histórica.

            Impossível retroceder. Não temos o direito de interromper a marcha inaugurada em 2002, frear o processo do desenvolvimento sócio-ecônomico, dos avanços democráticos, da republicanização do Estado, da recuperação renovada e afirmativa da perspectiva Socialista.

            Nesse sentido, cabe não olvidar a máxima de Karl Marx, antecedente ao “Manifesto de 1848”, à época da luta ideológica com os anarquistas (Bakhunin, em especial), no interior da I Internacional: “De nada valem as ideias sem homens que possam pô-las em prática”.

            Aos aprendizes da política, não em razão da infantil fatalidade etária, menos, ainda, por deliberada má fé, mas pela ignorância conceitual do que vem a ser tática e estratégia (“A ignorância não faz bem a ninguém”- Engels), vale, pelo mais óbvio das nossas vicissitudes, como advertência, lembrar o provérbio espanhol: “Cria corvos. Amanhã, eles furarão os vossos olhos”.

            Na práxis política, expressão concentrada e superior da luta de classes, não existe filantropia, falta lugar para concessões desinteressadas, esmaga-se a caridade.

            Muito ao contrário. Como alertava o georgiano, fugindo à quimera, deixando de lado as ilusões, num apelo rotundo, chamando à análise concreta da realidade concreta, “A política não é direcionada pela, ou subordinada à, piedade; nada se junta aos fracos”.

            Por isso mesmo, na linha do pensamento de Gramsci, cabe, ao PT, responder a sua conclamação: “Instrui-vos, porque precisamos da vossa inteligência. Agitai-vos, porque precisamos do vosso entusiasmo. Organizai-vos porque precisamos de toda vossa força!”.

            No Rio Grande do Norte e no Brasil não temos, apenas, adversários. As contradições vão muito além. São antagônicas. Estamos disputando o futuro e a sorte do País e do seu povo. “O mal é nosso inimigo. Porém, não seria pior se fosse nosso amigo?” – Leonardo da Vinci.

            Por fim, com o grande Brecht: “Nada deve parecer natural. Nada deve parecer impossível de mudar”. 

 

Natal, 23 de Outubro de 2013.

 Juliano Siqueira

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