As eleições de 2014, assim como as lutas sociais presentes e futuras, exigem do Partido dos Trabalhadores (PT) em correspondência com os resultados do recente, disputado voto a voto, renhido e democrático, definidor e propositivo, Processo de Eleições Diretas (PED), da direção partidária eleita, nos vários níveis, encarando este processo como uma etapa vencida, aproximar-se fraternal e objetivamente, sem dissimulações nem tergiversações, dos democratas e patriotas, dos segmentos populares e das forças progressistas, na complexidade do quadro político nacional e local, tendo a compreensão clara de uma necessidade que se impõe simples e inadiável: a unidade. Vendo-a, também, como necessidade e imperativo, candente e essencial, do nosso Partido.

Para contrapor às elites, às oligarquias, aos grupos e classes dominantes, os partidos, movimentos e personalidades que têm compromisso como o povo e suas aspirações, que resistem à ofensiva neoliberal, expressa na tragédia da exclusão social, da miséria econômica e em restrições à democracia, precisam, rompendo com as tradições de atraso características do fazer política nos bastidores, nas cúpulas, discutir e encontrar programa e candidaturas comuns, abrir amplos espaços à sua prática, de modo transparente e confiável pelas massas, marcando o resgate do discurso à esquerda.

Não é hora de aquecer e acariciar, em nome de ilusório diálogo ou do falso combate ao “radicalismo”, o ovo da serpente que, se hoje assedia certos setores, amanhã vai trair e atacar. Um tal comportamento dos cortejados só se explica por ingenuidade ou confusão. Ambas são fatais, na luta política. Vivemos um tempo de dúvidas, mas também de definições. Por tudo que temos vivenciado no Brasil e no Rio Grande do Norte, particularmente nos últimos anos de rolo compressor conservador-reacionário imposto pelo Executivo, com a conivência do Legislativo e a complacência do Judiciário, contra os interesses do Estado e os direitos sociais do povo norte-rio-grandense, é possível afirmar, sem temor do sectarismo, sem as tentações da capitulação, quais os nossos parceiros e quais os nossos adversários, quando a disputa se trava em torno do desenvolvimento com emprego, recuperação salarial, distribuição de renda, justiça social, ampliação da democracia, na direção do horizonte socialista. Ignorar os campos configurados, subestimar os projetos em choque, esquecer quais partidos e articulações dão sustentação à barbárie e, no caso potiguar, constituem os círculos responsáveis pela indignidade das condições de vida do nosso povo, presume a pavimentação de desvios que conduzem a alianças inconfessáveis, nas vésperas, e inexplicáveis, na sua consumação.

O PT e a esquerda têm uma imensa responsabilidade frente ao povo – os trabalhadores, os intelectuais, a juventude, os artistas, as mulheres, em suma, o fundamental do eleitorado norte-rio-grandense.

Responsabilidade que se torna mais séria, ainda, quando a referência são as eleições nacional e estadual. Aqui, em especial, poderemos, como a história tem demonstrado, derrotar as oligarquias, elegendo os governantes, com apoio numa expressiva bancada de parlamentares (deputados e senador) progressistas. Negar-se a tal propósito, fugir a esse desafio, é ceder ao canto das sereias. Acomodar-se nas estruturas da pseudo polaridade continuísta das elites. Nosso potencial de vitória não se encontra nas sobras dos banquetes dos parasitas; está, na verdade, enraizado na vontade de mudança, na sede e fome de justiça, no descrédito das oligarquias que aumenta, a cada dia, na consciência do povo.

O RN espera nossa ação unitária, reclama alternativas realmente novas. Com disposição e luta, confiança e organização, é que devemos aceitar o bom combate. O tempo não é neutro, conspira contra o povo e sua representação política. Cada dia perdido é alento para os que desejam fracionar as forças populares. Favorece à jogatina protelatória e à embromação dos politiqueiros e suas siglas de ocasião, bem acomodados no chamado “calendário eleitoral”. Sem açodamentos, temos pressa e, principalmente, uma preocupação: responder em tempo hábil às reivindicações populares, ao seu chamado político, e implodir as manobras dos que se imaginam proprietários do Estado. Vamos inaugurar o novo ano eleitoral, operando desde agora, e construindo a conjugação de forças dos partidos populares, democráticos e de esquerda, levando às ruas e praças, fábricas e escolas, conjuntos e bairros, de todos os municípios, as candidaturas majoritárias e proporcionais do Projeto Democrático e Popular. A tarefa é mais que objetiva: a partir do nosso interior, unir e somar, para vencer e mudar. Nosso rumo é avançar com o Projeto Democrático e Popular.

Natal-RN, 15 de Novembro de 2013.

Por Juliano Siqueira

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