O velho e o novo  (sob a aleluia da redenção nacional)

No 78° Aniversário da Insurreição Nacional-libertadora

    Temos sido acusados, geralmente, por pessoas que gostam de aderir ao falatório dominante, por imbecilidade ou por interesses patrimoniais e políticos, de ter “um discurso ultrapassado”. Os primeiros são uns pobres diabos: perderam o rumo e rodam a bolsinha miserável para o todo-poderoso capital, sonhando com as migalhas do banquete. Os outros estão na sua. Acumularam, sabe-se lá como, e defendem ferozmente suas regalias.
    Na verdade, há muita coisa ultrapassada nessa podre (e pobre) imitação chinfrin do Reino da Dinamarca. Muitos Polônios; nenhum príncipe Hamlet.

    O povo é vítima do fogo cruzado de quadrilhas oficiais e marginais, numa guerra sem nome. Estão brincando com fogo… E com o povo. Diplomatas do tráfico de influência e politiqueiros apadrinhando banqueiros e grandes negociatas. Assim se afundam as oligarquias.

    Somente um louco teria prazer em denunciar esses fatos. Sujeitos sem escrúpulos e ingênuos de todo o mundo, silêncio, por favor. Respeitem a indignação, a revolta, a tristeza de quem carrega uma grande dor no peito. E, nós, do PT, fizemos muito, nestes últimos 12 anos. Como homem e cidadão, tenho, ao longo de minha vida, procurando o novo, um mundo solidário e justo. Não me alegram as estatísticas da morte. Prefiro vida, trabalho e pão. A coletividade em festa, não na degradação. Queria ser otimista e escrever coisas suaves, bonitas, delicadas. Mas quem sabe das coisas, se não é um cretino, como pode fazê-lo? Quem não sabe de nada, que se cale.
    Não faço os meus discursos, apenas falo e escrevo. Os autores, de fato, são as elites minoritárias, parasitas e plutocráticas. No entanto, é certo que não danço de acordo com a música. Resisto à uniformidade massificadora do tom, do ritmo, do som dos cartéis da mídia. E, umas vezes incompreendido, ou isolado, confesso que vou bem. Mesmo não sendo, como tentou provocar uma escriba municipal, o “coerente dos coerentes”. É mais simples: bajulação? Estou fora. Fácil de entender, não? Para muitos, nem tanto.
    Por isso o meu orgulho de filho de Natal. Setenta e oito anos são passados e não saímos, de todo, dos desafios postos pela Insurreição Nacional-Libertadora de 1935. De lá até os nossos dias, quantas transformações – econômicas, políticas, éticas, tecnológicas …No Brasil e no mundo. Contudo, não parece muito distante, no tempo e no espaço, um movimento que tenha como consignas Pão, Terra e Liberdade.
     Já sabemos que ninguém morreu dormindo, que donzelas continuaram como tal, que a população gostou e, dez anos depois, em 1945, fez majoritário, a depender do voto natalense, o candidato presidencial comunista.
    Os acontecimentos de 35 e a ANL (Aliança Nacional Libertadora) saem das páginas policiais, da marginalidade da história e, como gesta anti-fascista, ingressam, após longo e difícil vestibular, na universidade, na academia, como objetos de estudo e pesquisa. A “Intentona” transformada em matéria-prima da ciência. Na política, feita a subtração das circunstâncias, é lição acumulada, tradição revolucionária e inspiração à continuidade da luta pela sociedade livre dos exploradores e explorados – o socialismo.  
    Quando, sentindo vergonha pela nação, vemos, através de imagens vivas, Dirceu e Genoíno sendo presos, num país de tantos crimes impunes, de criminosos premiados e gangsters cheios de mordomias e poder, temos a certeza de que aquelas prisões são bem o símbolo de um povo, ainda, em recalcitrantes grilhões, da pátria amada amordaçada pelos latifúndios midiáticos e os tribunais de exceção. Em consequência, somos todos aliancistas.
    E, voltando no tempo, em novembro de 1935, coloco-me às ordens do Governo Popular Revolucionário, sob “a aleluia da redação nacional”, distribuindo a poesia panfletária do jornal A Liberdade, pelas ruas de Natal.  

 Por Juliano Siqueira- Natal, 27 de Novembro de 2013.

 

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