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Deputado José Guimarães, líder do PT na Câmara – Foto: Salú Parente

O líder do PT na Câmara, José Guimarães (CE), ocupou nesta terça-feira (3) a tribuna da Câmara dos Deputados para, em nome da Bancada, solidarizar-se com o deputado licenciado José Genoino (PT-SP), que renunciou ao mandato depois de atuar no Parlamento por 25 anos. “Genoino foi grande nesse seu gesto. Até nisso ele foi grandioso, sempre grandioso nas trincheiras de luta. Não é com medo de cassação”, disse o líder, com a Bancada do partido em peso no plenário.

A Mesa da Câmara, mesmo com Genoino em licença médica depois delicada cirurgia cardíaca, ameaçava processo de cassação por ter sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal na Ação Penal 470.

O líder do PT na Câmara reafirmou a inocência de Genoino e discorreu sobre a história dele, da resistência à ditadura militar a um papel central na construção do PT e da própria democracia no País, com a redemocratização, em 1985. “Todos sabem que a história de Genoíno se confunde com a história deste País”.

Para o líder petista, Genoino conclui essa fase da vida dele “demonstrando que é um cidadão e parlamentar grandioso”. “Ele fez um grande em seu gesto. Até nisso ele foi grandioso. Quando relatamos para ele que a Mesa se reunia para abrir um processo de cassação do seu mandato, ele foi claro: ‘eu não me permito mais a isso, o melhor caminho para o PT, para a bancada, é eu renunciar ao mandato’. Foi duro para a bancada aceitar isto. Soube entender este gesto de Genoino. Mesmo que fosse por votação aberta, nem o PT, nem Genoino temeu ir para a votação por causa da cassação. Ele deixa a condição de deputado, mas não a de militante respeitado pelo PT. O Genoino, o seu legado, sua história, jamais serão apagados. Foi um gesto grandioso”, afirmou.

O líder acrescentou: “ Ao invés de ficarmos tristes, embora dilacere nossa alma, não iremos permitir que destruam a história do PT. Genoino é a expressão da história do PT, na construção deste imenso projeto que está construindo o Brasil. Este dia de hoje, com a renúncia dele, sem nem poder vir aqui para se defender, diminui o parlamento brasileiro”.

Soberania

Guimarães destacou o compromisso de Genoino com a soberania nacional e a defesa do povo brasileiro, posição consolidada durante a elaboração da Constituição de 1988. Em toda a sua trajetória, fez questão de frisar, Genoino nunca se utilizou da política para acumular patrimônio financeiro ou material, ‘’mora na mesma casa há vários anos e não ostenta riqueza’’.

Guimarães reconheceu, na qualidade de irmão e de companheiro de lutas de Genoino, a dificuldade para tocar no assunto. “Primeiro pelo sentimento de dor pela perda do nosso querido Marcelo Déda e em segundo porque neste momento sou porta-voz para expressar a não apenas a opinião dos meus companheiros e companheiras, mas também ser porta-voz de um deputado, que por força das suas condições de saúde, não pode vir aqui para apresentar sua carta de renúncia como parlamentar”, afirmou. Genoino está fragilizado por conta da cirurgia: “Quando ele começa a falar, se emociona e, portanto, não reúne condições de continuar”, comentou.

José Guimaraes observou que , mesmo com a condenação na AP 470, “não houve partido que entrasse com representação no Conselho de Ética contra Genoino porque todo mundo sabe que é honesto e não merece passar por isso que está passando”. E completou: “O único pecado dele foi ter sido presidente do PT, o que para nós não é pecado nenhum”.

Família

Guimarães lembrou o caminho percorrido, da família pobre no Ceará e das lutas do irmão pelo socialismo, pela democracia e pelo projeto vitorioso do PT. Disse que a vida digna do parlamentar é reconhecida pelo Brasil, como defensor de causas mais justas, na construção de um pais soberano e solidário. Recorreu à frase de Ulysses Guimarães que, certa vez, definiu Genoino como quem “expressava o sentimento de muitos que não têm vez, nem voz”.

Para o líder, a exemplo do que foi feito recentemente com a exumação do corpo do presidente deposto em 1964, João Goulart, a verdadeira história sobre a AP 470 será exumada e um dia Genoino terá seu mandato de volta. O líder leu trechos da carta de renúncia de Genoino em que ele fala fazer parte de uma geração que não fugiu e nem foge à luta. ” É um militante que deixa a condição de deputado, mas não deixa a condição de militante respeitado. O seu legado não será esquecido”, completou o líder do PT.

Fonte: PT na Câmara

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