O Presidente Vladímir Putin (1), em defesa da integridade e soberania da Federação Russa, vencida a etapa expressa no Referendo, a ser realizado em 16 de março de 2014, em torno da autonomia da Crimeia (2), seguida da unificação com a Rússia, tem uma missão histórico-política, de importância fundamental, no combate ao Golpe de Estado, levado a cabo na Ucrânia, no estancamento da agressão hegemono-expansionista do imperialismo norte-americano e seus títeres da União Europeia (UE), via instrumentalização da Organização de Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e arregimentação de paramilitares-mercenários nazistas, auto-proclamados ‘nacionalistas ucranianos’, vinculados aos bandos neo-fascistas Svoboda (‘Liberdade’) e Setor Direita, que têm origem na Grande Guerra Pátria (II Guerra Mundial), quando anti-comunistas ucranianos somaram-se às tropas hitleristas, na invasão da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), e, após a vitória do Exército Vermelho, buscaram exílio na América do Norte, no que foram bem sucedidos e acolhidos como ‘heróis’, num dos episódios marcantes do início da ‘Guerra Fria’, da exacerbação fóbica mundializada do anti-comunismo.

 


Esta tarefa, de dimensão colossal, implica:
1) Desconhecer o governo nazi-golpista imposto à Ucrânia;
2) Defender os direitos políticos, econômicos e culturais dos habitantes, em território ucraniano, de etnia e língua russa;
3) Unir-se aos patriotas e democratas, socialistas e comunistas (3) de toda a Ucrânia, principalmente, no Leste e no Sul do País, fronteiras com a Rússia, na luta contra a escalada fascista, camuflada com a farsa da ‘ocidentalização’ e seus ‘valores’.
Tais objetivos, necessários e inadiáveis, ultrapassam as instâncias e os limites formais da mera diplomacia e apontam, com respaldo na “análise concreta da realidade concreta”, para a inexorável e o inevitável surgimento de uma nova Ucrânia – federativa, multinacional, democrática e progressista (4).
As forças políticas e os movimentos sociais anti-fascistas da Ucrânia estão chamados à organização e à mobilização.
À Federação Russa, em solidariedade ao povo irmão e aos seus compatriotas, habitantes do território ucraniano, cabe “deixar de lado as ilusões e preparar-se para o embate”, ou, então, os bandos de criminosos neo-nazistas escolherão um novo alvo: Moscou, a Praça Vermelha, o Kremlin (5).
O Exército Russo, herdeiro e continuador das melhores tradições do glorioso e vitorioso Exército Vermelho, é, por exigência da história, o grande sujeito ativo que as massas de russos, ucranianos, bielo-russos, moldavos, georgianos e a humanidade progressista, elege como parceiro e vanguarda, nesta hora de decisões que marcarão séculos. Na batalha da Ucrânia, no próximo domingo (16-03-2014), na Crimeia, e nos dias de sequência imediata, mediata e final, guardadas as proporções e diferenças, que não são nada simples, dadas as complexidades do processo histórico, se a compararmos a Stalingrado, muito do futuro da espécie humana está em jogo; parodiando Rosa Luxemburgo, é humanismo ou barbárie.

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Por JULIANO SIQUEIRA – Natal, 14 de março de 2014.

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NOTAS

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1) “O que parecia impensável, infeliz e desgraçadamente, virou realidade e a URSS desabou” – V. Putin; “O desmembramento da URSS foi a maior catástrofe, a maior tragédia geopolítica, do século XX. Os russos foram as principais vítimas. O povo russo é, agora, o povo mais disperso do mundo” – V.Putin; “Que as potências do Ocidente não queiram abrir os portões do inferno; se o fizerem nos mostraremos o inferno para eles” – Provérbio russo atual
2) Estas linhas foram escritas antes do Referendo. Eis o resultado: comparecimento de 83%; União com a Federação Russa obteve 97% de aprovação; contrários, brancos e nulos foram 3% dos votos. A Crimeia tem uma população de 2,2 milhões de habitantes ( 55 milhões de russos – 70%; 350 mil ucranianos – 16%; 300 mil tártaros – 14%)
3) O Partido Comunista da Ucrânia que, nas últimas eleições à Rada (Parlamento Nacional), obteve 15,5% dos sufrágios, elegendo 36 deputados, sendo a 3a maior bancada, foi ilegalizado, pelo governo golpista de Kiev, seus mandatos cassados ( expulsos da Rada ), suas sedes invadidas e queimadas
4) A Ucrânia, com 604.000 km2 e 45 milhões de habitantes, tem população com a seguinte distribuição étnica: Ucranianos – 65%; Russos – 30% ( concentrados no Leste e no Sul, com variação percentual de 40 a 70% ); Outros – 5% (tártaros, polacos, moldavos, bielo-russos, judeus). 80% dos ucranianos são bilingues (russo e ucraniano)
5) A República Autônoma da Crimeia e a Cidade de Sebastopol integravam a República Federativa Socialista Soviética da Rússia, até 1954. Um ano após a morte de Iosif Vissarionovitch Djugachvili Stálin, ocorrida em 05-03-1953, por decisão do Conselho de Ministros da União Soviética, então, presidido pelo revisionista Nikita Kruschev,  foram incorporadas, sem Consulta Popular, à República Socialista Soviética da Ucrânia. Kruschev, por coincidência, ou não, era ucraniano.

 

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