DEIXAR DE LADO AS ILUSÕES, PREPARAR-SE PARA A LUTA

 

   “Os outros partidos dizem que os tratamos de forma grosseira. É verdade. Mas, é apenas o começo. Somos contra eles. Chegando ao poder, acabaremos com eles todos. Nosso país é a Grande Alemanha. Nossa bandeira é a da Alemanha. Nosso símbolo é a suástica. Em pouco tempo, as bandeiras vermelhas dos bolcheviques serão varridas das ruas e das praças da Alemanha”( A. Hitler – Nuremberg – 1933).

   A direita saudosista e golpista, expressão ideológico-classista direta do grande capital, apoiada em setores privilegiados e plutocráticos da classe média e na ignorância e, possivelmente, também, na ingenuidade de grupúsculos da juventude (despolitizados, alienados, violentos), promovendo o arrebanhamento e a contratação de bandos criminosos, lumpens, profissionais do vandalismo, penetra, guardando anonimato, nas manifestações da agenda irresponsável, inconsequente, estéril   “da ‘esquerda’ que a direita gosta” (elegeram como inimigo comum o PT e seu governo ), conduzindo-as na rota do falso moralismo, da condenação abstrata e genérica à corrupção (sem nominar agências nem agentes), do ufanismo anti-democrático, anti-socialista, anti-nacional (seu reles e aparente ‘nacional-patriotismo’ não passa de mera falácia, pintada de verde e amarelo), da intolerância, em suma, do fascismo.

   Um alerta, às forças populares, democráticas e de esquerda: é chegada a hora da afirmação, ultrapassando divergências e diferenças, neste instante, merecedoras de secundarização, da unidade na pugna contra o fascismo e seu monstruoso aparelho conservador-reacionário, institucional-midiático.

   Cultuar e cultivar polêmicas intestinas, optar pela defensiva ( equivocada e erroneamente, dita cautelosa e prudente ), insistir em políticas de isolamento e alianças carentes de objetivos programáticos, é o mesmo que auto condenar-se à derrota. “A defensiva é a morte do movimento”. Tanto quanto a fraseologia e o baluartismo. No nosso caso, não nos é dado, sob qualquer hipótese, o direito de perder mais de uma década de conquistas, devolvendo o governo do Brasil às mãos dos inimigos do povo brasileiro. Não está em jogo, simplesmente, um resultado eleitoral. Na verdade, trata-se de uma disputa histórica, sem precedentes, em torno do futuro da pátria. É avançar, continuar avançando, ou retroceder.

   A palavra de ordem ‘povo sem partido’, ontem como hoje, no essencial, tática e intencionalmente, não tem qualquer conotação anarquista, numa avaliação criteriosa. A direita brasileira, com todo seu poderio infra-estrutural e logístico, que não tem partidos, e todas as pesquisas de opinião são reveladoras deste fato, apropriou-se e perverteu, momentaneamente, e de novo o fará, conforme seus interesses de bordel, a conclamação universalizada da Unidade Popular chilena: “O povo unido, jamais será vencido!”.

   Não tenhamos dúvida, o anti-partidismo é um dos ovos da serpente do fascismo. Isto posto, voltemos, esta é uma tarefa básica e imediata, aos movimentos sociais. Retomando, recuperando, renovando nosso escopo democrático-revolucionário; não fugindo dos desafios candentes, reais e históricos da luta de classes que, independentemente de nossa vontade, esta posta e imposta aos petistas, homens e mulheres; nem abjurando o horizonte socialista, a ser anunciado sempre, valor permanente, sem tergiversações, como sangue e alma do nosso discurso de esquerda; mobilizando e organizando as bases sociais e partidárias, “com a consciência máxima possível”; reocupando o território político-popular do qual jamais deveríamos ter nos afastado ou, desgraçadamente, em alguns casos, cambiado e, até, abandonado.

   Não basta, por fim, acompanhar e esperar o melhor das pesquisas. Temos, por obrigação, fazê-las, crescentemente, favoráveis ao nosso projeto partidário, coincidentes com nossos sonhos. “Terminou a viagem; iniciemos o caminho”.

Por Juliano Siqueira

Natal, 14 de maio de 2014

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