O direito à cidade, o acesso às políticas públicas e o enfrentamento ao extermínio contra jovens foram alguns dos temas discutidos na tarde deste sábado, 4, no encontro “Juventude e Cidade”, promovido pelo Grupo de Trabalho do PT-Natal. Durante o bate-papo, com a participação do deputado Fernando Mineiro, jovens petistas, simpatizantes e antigos militantes, além de problematizarem o assunto, opinaram sobe a construção de propostas que atendam às demandas específicas da juventude.

Os participantes convergiram quanto ao diagnóstico sobre a inexistência de políticas públicas para a juventude no âmbito municipal. Além de equipamentos culturais, esportivos e de lazer, faltam ações voltadas para a inserção dos jovens no mercado de trabalho, para superar a discriminação contra a juventude da periferia e para assegurar os direitos da juventude negra e LGBT.

Para Mineiro, além de pensar a construção desses equipamentos públicos, a gestão municipal precisa identificar os grupos organizados de juventude para potencializar sua atuação. “Uma ideia é lançar editais públicos, para fomentar o trabalho desses grupos. Tem muita coisa acontecendo na cidade porque os jovens estão se organizando. A Prefeitura precisa acompanhar, apoiar e estimular esse processo”, comentou.

A vulnerabilidade da juventude que vive na capital e corresponde a 29% da população, segundo o Censo 2010 do IBGE, foi um dos pontos mais debatidos. Os dados apontam que Natal está entre as capitais do Brasil que mais matam jovens. Nos últimos dez anos, os homicídios contra o segmento de 15 a 29 anos de idade aumentou 1.000%. O risco de um jovem negro ser morto na capital é quase três vezes maior que um jovem branco.

Para Bruno Costa, secretário estadual de Juventude do PT, “a concentração do extermínio da juventude ocorre em algumas áreas da cidade, principalmente nas zonas Norte e Oeste, mas nas demais regiões também não há equipamentos nem políticas públicas para os jovens”. “As pessoas dessas outras regiões têm acesso às políticas públicas pelo poder de consumo”, acrescentou.

Há outros dados que também são preocupantes quando o assunto é juventude, como, por exemplo, o acesso à educação. Ainda segundo os dados do Censo 2010, 17 mil adolescentes de 15 a 17 anos estavam, àquela época, fora do ensino médio; 88 mil jovens de 18 a 24 anos estavam fora do ensino superior.

A dificuldade de mobilidade urbana foi outro eixo lembrado nas discussões. Natal tem apenas seis linhas de ônibus que fazem a rota corujão. Para a juventude que depende do transporte coletivo, isso termina dificultando o acesso ao lazer, uma vez que a volta para casa à noite fica mais complicada.

A secretária de Juventude do Governo do Estado, Divaneide Basílio, observou que o acesso às políticas públicas para a juventude da periferia é ainda mais difícil. Ela ressaltou a necessidade de pensar formar de superar “a segregação entre a Zona Norte e as demais regiões de Natal. “A juventude da Zona Norte é mais discriminada que as outras. Infelizmente, ser pobre e negro nessa região aumenta o risco desse jovem ser vítima de extermínio”, constatou.

Para o estudante de Direito da UFRN, Thales Dantas, os dados refletem a ausência do poder público e das políticas específicas para a juventude. “A juventude não tem identificação com a cidade, porque suas demandas são invisíveis para o poder público”, ponderou.

Mineiro ressaltou que é preciso fazer com que a cidade “chegue de outra forma para os jovens”. “O desafio é construir propostas que dialoguem com a juventude, que cheguem a essa juventude que não está na escola nem trabalha, porque essa é a parcela mais vulnerável”.

 

 

Fonte: Assessoria Fernando Mineiro

Fotos: Vlademir Alexandre.

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