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Por peculato qualificado e lavagem de dinheiro, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta semana a abertura de mais um inquérito contra o senador Agripino Maia, presidente nacional do DEM. O pedido de Janot pretende investigar Victor Neves Wanderley, possível funcionário fantasma no gabinete do senador no Congresso Nacional.

Wanderley foi nomeado ao cargo de assessor parlamentar em 2009 e desde outubro recebe R$ 7.415,57. Segundo as investigações, sempre em datas próximas ao pagamento do Senado, ele fazia saques em espécie e depósitos na conta de Raimundo Alves Maia Júnior, primo do senador Agripino. O funcionário fantasma também trabalhou, em 2010, no gabinete do senador José Bezerra (DEM).

De acordo com a Procuradoria Geral da República, os recebimentos de diversos depósitos somam R$ 158 mil. Já os repasses para o primo do senador somam R$ 127 mil. Outros R$ 42 mil foram sacados em espécie pelo funcionário fantasma. Ao prestar depoimento à Polícia Federal, Victor Neves Wanderley afirmou que recebia o salário do Senado, mas nunca trabalhou na Casa. Seu real emprego é em uma farmácia que pertence ao seu tio, que também fez movimentações financeiras suspeitas.

“Em quase todo o período em questão, nas mesmas datas de recebimento de vencimentos do Senado Federal, ou em datas próximas, Victor Neves Wanderley efetuou saques em espécie de quantias consideráveis, muitas vezes equivalentes à remuneração auferida, o que aponta no sentido de repasse oculto de pelo menos parte de seu salário a um terceiro, possivelmente o próprio José Agripino Maia”, escreveu Janot no documento enviado ao STF.

Mesmo Agripino Maia tendo o poder de indicar qualquer pessoa para o cargo de assessor parlamentar, a suspeita de peculato existe porque sendo indicado sem que a pessoa faça as atribuições correspondentes ao cargo o crime está configurado.

Já o crime de lavagem de dinheiro se configura pela triangulação entre o funcionário fantasma e o primo de Agripino Maia. Janot diz na peça que a suspeita aconteceu após um levantamento feito pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão ligados ao Ministério da Fazenda, que investiga movimentações financeiras atípicas.

Da Redação da Agência PT de Notícias

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