20151216163741
Manifestação contra o golpe realiza em dezembro de 2015, em Natal

Neste domingo, 13 de março, a direita partidária e social brasileira foi ás ruas mais uma vez.

Não foi protestar contra a corrupção. Afinal, nos protestos estavam notórios corruptos.

Essa direita, mobilizada principalmente entre setores da classe média, foi para as ruas contra: o ex-presidente Lula, o Partido dos Trabalhadores e a presidenta Dilma.

Atacam Lula porque ele é um símbolo da classe trabalhadora brasileira e porque querem interditá-lo para a disputa eleitoral de 2018.

Atacam a presidenta Dilma porque não aceitam o resultado das eleições de 2014.

Atacam o Partido dos Trabalhadores não por seus erros. Atacam por seus acertos. Por ser o partido que nos últimos 36 anos se construiu como partido da classe trabalhadora brasileira.

Pode até ter sido pouco. Mas, o pouco que este partido fez incomodou uma elite e uma classe média reacionária que não aceita nada que beneficie as camadas de baixo.

Ao contrário do que alguns setores da esquerda acreditavam, essa direita não aceita conciliação de classes.

Não podemos minimizar os protestos deste domingo. Foram grandes. Principalmente em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

Tudo dentro do esperado, depois de tudo que fizeram para mobilizar gente para este dia. Desde o sequestro, apelidado de depoimento coercitivo, do Lula, passando pelo pedido de prisão preventiva feito pelos três patetas promotores paulistas contra Lula e a grande divulgação dos meios de comunicação.

Cavernícolas como Bolsonaro foram ovacionados nesses protestos. Tucanos de alta plumagem foram hostilizados e expulsos dos atos. Perceberam que estão perdendo o controle do monstro que criaram.

Aliás, Aécio Neves deve ter se lembrando de Carlos Lacerda em 1964. Lacerda inflou o golpismo desde o início. Sonhava com o poder após a consumação do golpe. Depois sofreu banimento político pela própria serpente que ajudou a criar.

O perfil social do público presente não modificou em nada em relação aos atos de 2015.

A imensa maioria da classe trabalhadora ainda continua passiva aos acontecimentos.

E é essa classe trabalhadora que os partidos de esquerda, os movimentos sociais e os setores progressistas precisam mobilizar para o dia 18 de março.

Para isto precisamos saber como dialogar, como mostrar as diferenças dos dois projetos que estão em jogo.

São dois projetos diferentes que estão em disputa. Uma pequena parte da esquerda, como o PSOL e o PSTU, acreditam que existe espaço para outra alternativa no momento. Dormirão o sono dos inocentes e acordarão na realidade nua e crua.

É hora de voltar a fazer a disputa de ideias. Politizar o processo.

O Governo Dilma ajudará bastante se modificar a política econômica do governo. Tirando da gaveta o programa vitorioso em 2014.

O dia 18 de março é o momento dos setores populares e progressistas ocuparem as ruas em defesa da democracia, do Governo Dilma, em solidariedade ao ex-presidente Lula e em defesa dos direitos da classe trabalhadora.

Se a direita quer interditar Lula e o PT é porque sabe que eles não são “cachorro-morto”. Sabem que podemos disputar e vencer novamente em 2018.

Por isto, além do golpe na presidenta Dilma, querem um golpe preventivo contra Lula e o PT.

Na disputa em andamento nada garante que vamos vencer. Assim como nada garante que vamos perder.

Os rumos da luta e nossas ações é que vão definir.

Por isto o momento exige coragem. De tédio não vamos morrer.

Dia 18 de março, todos e todas ás ruas!!!

 

Gilderlei Soares é professor e militante do PT/RN.

Anúncios