Fernando Mineiro (PT-RN)

O deputado estadual Fernando Mineiro (PT) fez pronunciamento na sessão plenária desta terça-feira (19) sobre a votação do impeachment da presidenta Dilma Rousseff na Câmara e o rompimento do Partido dos Trabalhadores com o governador Robinson Faria e o Partido Social Democrático (PSD).

“Nós do PT continuaremos de cabeça erguida, enfrentando essa disputa, defendendo o que acreditamos”, disse o parlamentar. “Pode até ser que sejamos derrotados, mas não terei nenhuma inveja dos possíveis vencedores, porque a história cobrará deles a coerência do que disseram em praça pública”, reafirmou.

Mineiro classificou como “dantesco” o espetáculo assistido pela sociedade brasileira no domingo (17), na Câmara dos Deputados. “O Brasil e o mundo acompanharam o processo, pelas transmissões ou pela intensa divulgação. O nível das intervenções dos mais de 500 deputados e deputadas já diz o que está em jogo, fala bem a capacidade e o interesse daqueles que votaram a favor do golpe parlamentar que está em curso no Brasil”.

Para Mineiro, é evidente que este é um golpe de novo tipo, diferente daquele de 1964, mas que também conta com a intensa participação da mídia. “Acho que os interesses relatados pelos deputados favoráveis ao golpe ficaram explícitos e mostraram que nada tem a ver com combate à corrupção”, denunciou o deputado.

Mineiro citou como exemplo o caso da deputada Raquel Muniz (PSD-MG), que votou a favor do golpe com o argumento de pôr fim à corrupção, e teve o esposo, Ruy Muniz (PSB-MG), preso nesta segunda-feira (18), pela Polícia Federal. Ele é prefeito de Montes Claros (MG).

O futuro do Brasil

“O que está em jogo no Brasil é o caminho que o país vai adotar para enfrentar a crise econômica que tem elementos internacionais. Quais as alternativas para enfrentar esta crise? Quem paga o custo dela?”, questionou o petista. “Para quem tem dúvida, sugiro ler os jornais, o editorial da Folha de S. Paulo de hoje, apoiando o golpe, como fez também em 1964”, disse.

“Recomendo também que leiam o documento Ponte para o Futuro, lançado pelo PMDB em outubro do ano passado, que tem como principais pontos do roteiro o que se quer implantar no Brasil no enfrentamento à crise”, alertou o deputado.

Mineiro denunciou alguns itens do documento que podem significar grandes retrocessos aos direitos sociais. “Existem itens que falam sobre crise fiscal e a necessidade de se adequar o orçamento público para responder à crise. Há um outro que fala sobre desvinculação da obrigatoriedade dos percentuais das despesas, que, traduzindo, significa acabar com os percentuais obrigatórios para as despesas em algumas áreas”, alertou.

“Haverá debates no Congresso para acabar com percentual de 25% obrigatório para Educação, percentual para a Saúde. Esse debate é muito importante, porque poderá refletir de forma perversa sobre a vida da sociedade”, denunciou Mineiro. “Todos sabemos que o reajuste do salário mínimo tem vínculo. Querem desvincular o reajuste do mínimo, do piso dos professores, dos aposentados, mudar a idade mínima para 65 anos”.

Mineiro ressalta também, ao falar do Plano, que a votação do impeachment nada tem a ver com combate à corrupção, mas com um projeto econômico, político, social e cultural. “O documento aborda questões ligadas à privatização dos ativos, da Petrobras, mudança no modelo de partilha, nossos bancos estatais, mudanças na área social, no Bolsa Família, no Fies (que garante a entrada dos filhos dos trabalhadores no ensino superior), Pronatec etc”.

O deputado lembrou ainda que os mecanismos para combater a corrupção foram criados nos governos Lula e Dilma. “Querem voltar aos tempos duros do neoliberalismo, que foi barrado pelos movimentos sociais e pela eleição de Lula entre a década de 90 e o início dos anos 2000”.

Rompimento local

Outra questão abordada por Mineiro em seu pronunciamento foi o posicionamento do PT diante da adesão do PSD ao golpe. “Todos sabem do esforço, trabalho e dedicação do Partido dos Trabalhadores no processo de 2014, para formar uma aliança que possibilitasse a eleição de Robinson”, lembrou.

“Neste processo do impeachment, o PSD resolve embarcar no golpe, o que é ingratidão e traição”, ressaltou Mineiro. “Ingratos porque, não fossem os votos do PT, não teriam sido eleitos os deputados federais Fábio Faria e Beto Rosado. Eles conseguiram entrar com os votos dados aos candidatos do PT, pelo quociente eleitoral”.

Para Mineiro, tal ingratidão foi respondida pelo PT de maneira firme, com o rompimento e entrega dos cargos. “Trabalhamos para construir um projeto político de outros caminhos para o RN, em oposição aos que hoje comandam o golpe. E é lamentável que o PSD se some ao bloco da traição”, disse.

“Entregamos os cargos com a consciência tranquila de que os filiados que estiveram à frente deles fizeram um bom trabalho. Basta perguntar aos beneficiários da Educação, das políticas de reforma agrária, da agricultura familiar, da juventude, das Mulheres e da Cultura”.

Foto: Eduardo Maia/ALRN

Anúncios