*Por Fernando Mineiro

O golpista Temer caiu em si e revogou agora há pouco o tresloucado decreto de intervenção militar em Brasília. Ele não resistiu à reação da sociedade democrática brasileira e à repercussão negativa em todo o mundo. Mas o episódio é exemplar do momento político e da truculência dos golpistas que a tudo apelarão para tentar aprovar as reformas impopulares.

O ilegítimo Temer, em gesto de puro desespero, lançou mão da força das armas para adiar o seu ocaso. A intervenção militar na capital da República foi mais um ato farsesco a golpear a nossa já combalida democracia, ferida de morte desde o golpe de 2016.

Atolado na lama da corrupção e da mediocridade, Temer escancarou o verdadeiro conteúdo de seu governo e a sua falta de limites, para impor ao país uma agenda regressiva e antidemocrática.

Na prática, Brasília passou uma noite sob estado de sítio, imposto ao arrepio da legislação, desrespeitando, inclusive, o governo local e os demais poderes, como é da natureza de atos ditatoriais como o decretado ontem.

O decreto de ontem foi o desdobramento e a continuidade do golpe de 2016. A agenda regressiva em curso exige o concurso da força para a sua implementação. Apenas a manipulação da informação já não é suficiente para barrar a reação da sociedade às medidas que os golpistas querem aprovar no Congresso Nacional. As violentas reformas, que tão duramente atingem os direitos dos trabalhadores, necessitam do uso da força para sua aprovação.

O uso desmedido da força – arrastando os militares para o exercício de papel menor – é o retrato sem retoques do isolamento político e da mediocridade dos que ilegitimamente assaltaram o governo no ano passado.

A consciência democrática brasileira reagiu a essa torpeza, por saber onde leva o estado ditatorial.

Mais do que nunca, os interesses do povo brasileiro exigem a mais ampla unidade do campo democrático e popular para barrar o retrocesso.

Mais do que nunca, o restabelecimento da democracia exige eleições diretas já, para pôr fim à instabilidade.

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